quinta-feira, 7 de agosto de 2008

sou vento sou mar
sou pássaro sou peixe
são paulo o rio
sou sol sou luar
sou beijo de adeus
sou alô sou olá
de quem acabou de chegar
teus lábios teus peitos
feijão e quiabo
ladrão brasileiro
roubo o ravo do diabo
hoje vou para nova iorque
praça de guerra
que o senhor sustente a minha espada
e as minhas pernas
ele decretou a nossa existência
e viemos à luz
quem é aquela de azul?
que tanto geme e chora?
eis que tudo virou prostituição
onde arranjaremos alegria?
no circo?
com esses palhaços de cara de ferro?
que sopre o amor
então as portas se abrirão
e com passos mais firmes do que os de roma
marcharemos
mas apenas
para tomarmos chocolate com os pagãos

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

as repórteres do brasil

as repórteres que encantam o brasil
serão mesmo deste mundo?
flores humanas
as repórteres do brasil
fazem da televisão um jardim
aparecem nuas nos sonhos do povão
as repórteres do brasil
falando como robô
cheirando a sangue e a morte
serão marias ou marionetes?
as repórteres do brasil
borboletas do vídeo
a voarem na canção

terça-feira, 5 de agosto de 2008

a minha vaca tem mediunidade
é uma vaca holandesa
no hotel todo mundo comenta
como pode
um negro com essa menina?
eles não sabem
que o nosso amor vem de outras encarnações
meu avião vôa mais alto que a inveja
a minha vaca é loira e muito bela
olhos azuis que dói nos dentes

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

é o fim dos sectários
diz a canção das camélias
grogues de amor
o tártaro está aberto
não é para os girassóis
saibam
o pus da critiquice
jamais será sorvete
e quem impedirá
o êxodo para a verdade?
a saudade que a gente tem
mais do que por algum planeta
é por mariá-maria-marina-das marietas

domingo, 3 de agosto de 2008

meu país é feminino
e digo mais
é a namorada da alemanha
o senhor enviou são jorge
que é muito mais do que a umbanda
abriram-se as portas do nirvana
meu deus não corre atrás de ninguém
sou simples melodia
os lábios da senhora do horizonte
e sei que o coração é mais que as coxas
sopram os ventos da história
sentadas à mesa
esparta e brasília dialogam

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

a distância é um lago
um leque chinês
na escócia do vale
o medo é uma pedra opaca
sem penas coloridas
a perguntar ao espelho
se é mais bela
mas a calma é de paula
raso é quem ri da velhice
quem suja a rua da aurora
quem chora
pensando que não é alguém
os caçadores de orca
estavam jogando num cassino
ali tudo era lindo
lugar perfeito para cascavéis
um maioral
segurava o cetro da violência
eu disse
olha ali aquele, inocência!
ela me disse
homem, vamos embora!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

pássaros de pedra não voam
nem cantam a bunda da arte
os ventos cegos não arrepiam de alegria
as garotas da itália
tomo um café e acendo as cigarras
que as tuas garras procuram espetar

quarta-feira, 30 de julho de 2008

o paraíso das formigas está se acabando
com sua ciência perniciosa
e sua poesia de mariposa negra
meu rei venceu o seu anjo rebelde
as águas afogaram suas galinhas
suas águias fulminadas pelos raios
rolaram das alturas
cebolas podres eram suas cabeças cultas

terça-feira, 29 de julho de 2008

há muito tempo
que falta vergonha
é como em acapulco e congonhas

segunda-feira, 28 de julho de 2008

com que você falou

como um avião
a tarde foi sumindo
com as mãos nos bolsos
com quem você falou
se ali só estava o vento
a noite chegou cantando
a chuva molhou sua canção...
o que os seus passos agora estarão contando
para onde voou o seu olhar
a garota do cartaz à beira da estrada
não viu você nem o que apareceu no céu...

domingo, 27 de julho de 2008

há coisas no amanhã

o que está em jogo é a atitude
não interessa tanta coisa
só que a canção cruze com a vida
a roda vale por um espelho...
a terra é todo país
tanta coisa já aconteceu
há coisas no amanhã
que os búzios não sabem o telefone...
a que alturas o mundo
subirá nas suas asas
hoje eles ainda brincam como crianças...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

o mar deve balançar sempre

de nem toda vibração você é consciente
você não pode circundar a inconsciência
nada pode deter
um pensamento puro
os próximos passos do mundo
que eles não surpreendam você
as horas não param pra ninguém...
o mar deve balançar sempre
você pode escrever cartas aos planetas
enquanto sopra o vento
as vestes de outono
alguém pode estar gelado
ah me diga como está seu coração...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

a vida é uma chama que brilha sempre

o sol nasceu ontem mas não é antigo
oh baby você está gritando
a loucura passou desapercebida
porque escolheu um lugar visível
hoje é sempre uma palavra nova
o sol nasceu ontem mas não é antigo
sim hoje é sempre uma palavra nova
a força maior é interior
"o candeeiro se apagou"
mas
"o forró continuou"
porque o sol não...
a vida é uma chama que brilha sempre

segunda-feira, 21 de julho de 2008

todas as consciências

qual é sua missão?
qual é sua função?
competência é uma coisa
tão necessária
qual é sua missão?
qual é sua função?
a capacidade é um pássaro amarelo...
neste acampamento
a felicidade abra suas asas
a responsabilidade é exatamente indispensável
encontre um solo fértil em nosso tempo
qual a sua missão?
qual a sua função?
sem respeito os precipícios proliferam
encontre um solo fértil em nosso tempo

domingo, 20 de julho de 2008

seus livros podem lhe esperar

o sol desce a montanha
você vai deixando a cama
como uma tartaruga você entra no mar
seus livros podem lhe esperar
chegam ondas de outras mentes
hoje eu fiz uma canção pro sol
nada mal é caminhar
um sentimento
sinaliza no seu coração
ele quer saber o que está atrás do horizonte...
outras pessoas
passam por você sorrindo
elas também não se sentem sozinhas

sábado, 19 de julho de 2008

safra baby

safra entre as cenouras
com olhos de sonhadora
safra baby
voando para lá da challenger

a terna brisa rural
a paz em solo firme
e longe a capital
num clima de doidice

à luz das hortaliças
a lua foi surgindo
como uma cientista
e embrapa meiga ouvia
a nutridora cantiga
da soja na caatinga

safra baby então escreveu
um poema pouco maior
que a palavra sarajevo

- oh o canto da patativa

sexta-feira, 18 de julho de 2008

1. Ó EZÊNCIA!

detroit
digo em todos os onze deltas
em todos os cinco casos
quero ângulos iguais aos dela
pro meu algastrigo
o nome do meu cinema...
sou bom no himalaia
e as baleias são nove
em telepatia com as musas
eu nasci no dia dez de uma manhã real
com os olhos iguais aos da grécia
olhando pra via láctea
por sinal
eulhe trouxe um presentchpecial
ó ezência
pêssegos espaciais
tá vendo aquela constelação?
eu tenho um restaurante lá

quinta-feira, 17 de julho de 2008

2. PÔ-IMÃ

eu sou a soja e tal
a banana madura e doce
o arroz integral
este pô-imã
é uma homenagem
ao povo de israel
e aos árabes
parece refresco mas
meu mar não é de papel
é que é tão azul o céu

quarta-feira, 16 de julho de 2008

3. LUAGOSTA

pelo gostoso espaço
vai a lagosta
gosto da lua
do seu mar imenso
povoado luar
do seu magnético canto
que é meu country
vem do estrelado mar
és luminosa algaroba
eu te vejo do automóvel agora
doce sinal de trânsito
sempre verde pra quem namora

terça-feira, 15 de julho de 2008

4. VEN VON ONE

nós dois na cama
pra lá e pra cá
cantando em sânscrito
minha aromática índia e eu
o brasil é de virgem
e se prepara para falar de sexo
já na bandeira o dourado
intraviajandunutempo
cada vez mais próximos
os belos ladrões
que roubarão a terra do escuro
oh sergipe
faça um melhor refrigerante!

nota de roda-pé
geraldo urano, também conhecido por mérkur ou efe, é cratense e de gêmeos. autor de "vaga-lumes" e uma porrada de livros inéditos, mas não tem a preocupação de publicá-los. seu poema é do universo ou da nave terra.

Obs.: Série de poemas, sob o título "4 pô-imãs de Geraldo Urano", publicada no jornal Folha de Piqui, nº 5, janeiro de 1985.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Caririal

Quando a África do Sul se fizer em azul africano. Quando forem desarmados e nascidos da coragem. Quando o céu e o sol forem vistos no sal e na rosa. Quando você souber porque sabe. Quando todos os ventos cantarem o mesmo rumo. Quando a Luz for o Senhor dos árabes. Quando o centro circundar pelas margens. Quando ele tornar translúcida sua miragem. Quando os raios de Irmingard, a Inocência, não forem contrariados no seio das perólas. Quando os líderes puderem viajar... em paz. Quando a educação falar novamente de fadas aos traseuntes. Quando pudermos pintar como artista da verdade, o Universo em cores dignas.

* Publicado no jornal Folha de Piqui, nº 01, agosto/setembro de 1983.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

craterdã

Regente japonês, guardião do Japão. Saúde para o ocidente sorrir. Singelo. Festagrafável pelo oriente. E viva o charme do siamês telepático. Torquathermeto cabralclaro. Pequim dourada. Formosanjo Erda. Terra Virgem Constelaçante ou Constelação de Virgem. Brasil, agora! Arara polar e pingüim tropical. Samambaia e mambo e samba e rumba. E reze uma Ave-Maria ardente para Janis Joplin em novembro. As seis da tarde na hora do Ângelo. Na quinta ou na sexta. Ou na segunda. Sucesso Imortal do Espírito.

Nota: Texto de Geraldo Urano que, na época, meados de 1983, assinava Mérkur. Publicado na página 6 do primeiro número do Jornal Folha de Piqui.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ondátua*

encontrei
a estátua da liberdade
de noite
numa praia do caribe
deixou a américa de mansinho
pondo em seu lugar uma imitação

* Publicado no jornal Folha de Piqui, nº 3, março/abril de 1984

terça-feira, 8 de julho de 2008

paulo paulo*

paulo paulo
o que tu persegues?
capital do meu amor
são paulo boy
fabrique uma esferográfica pra mim
só para eu escrever pra ti
dizendo coisas assim
a verdade manda e fim

*Publicado no jornal Folha de Piqui, agosto/setembro de 1983

segunda-feira, 7 de julho de 2008

os anjos abençoem a nossa casa
em meu banjo vou tocar pra vocês
vamos para o bairro chinês
lá mora um português
que me tirou de uma enrrascada uma vez
lá vem a nossa amiga
formosa flor do paquistão
confúcio buda e seres elevados
san francisco na américa
e são francisco da itália
tem gente que aponta fuzil
eu quero é um beijo dela
no planalto central do brasil

domingo, 6 de julho de 2008

marfim amaralina
com um charme de sucesso
o crepúsculo tropical
beleza belal
o fogo da mãe nacional
o sol a dançar
a terra genialmente girando
rosa a se abrir
ninguém apaga esse azul
alô cruzeiro do sul
ouvir dylan ou ver niemayer
tupan é o rei daqui
no mar a linha do horizonte
belo horizonte saudades de ti
áfrica quero teu calor tua luz
meu amor antes de marfim
do que de isopor
e o infinito continua sem fim
meu corpo é meu jeans

sexta-feira, 4 de julho de 2008

ovo-lua*

ovo-lua
no ninho branco e dourado
em pleno ar
oh não posso te levar
para aquela
menininha do harlen brincar
pepita negra a brilhar
meu coração mergulha
num cha cha cha
criança é grande como mar
o mar tem um jeito infantil
são bem parecidos
menina e mar
mar e menina
terra galinha linda
ovo-lua

*Publicado na Revista Itaytera, nº 27, 1983.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

ave terra*

rapadura é dura e doce
a verdade é assim
o verão pousou na paisagem
deixando no ar um brilho intenso
a intenção
de que não veio apenas
salpicar de sons...
ave nave terra mãe vaca
a casa de todas as cidades
um raio de vida
se apaixonou por mim

*Publicado na Revista Itaytera, nº 27, 1983.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

a terra deu o sinal
depois de um longo tempo
estamos voltando
para avançarmos juntos
pelos caminhos da paz
esperam-nos lutas
muito grandes e bem diversas
cada um se esforçando muito
e no mundo paira uma alegria sincera
os povos se arrumam
como um arranjo de ikaebana
feito por uma garota bela

terça-feira, 1 de julho de 2008

olinda
cinema olímpia
o coração de gagarin
sambou na nave
a sereia
serenou meu barco
nos mares do sul
o peixe nadou no mar
boca cubana cubismo
tudo caminha pra lindo
tá vendo pois veja
tapioca é branca afinal

segunda-feira, 30 de junho de 2008

nós dois
estamos olhando
para a mesma estrela
nós dois
nós três nós mil
para a mesma estrela brilhante
como o leão
o sol não pode ficar indefinidamente
na caverna-na-na
o cosmo em festa
no sorriso da terra
nós dois
nós três mil
e um amor que não acaba mais

sábado, 28 de junho de 2008

morangocéu

não vou deixar de sonhar
olhando a neve tão linda
santa luzia que dia
a vista azul de amaralina
e no pólo sul as borboletas
enfeitam a avenida paulista
no corpo branco do inverno
passeia uma canção bonita
de lábios muito encarnados
morangocéu se explica
e no mar os holandeses
foram olhar as margaridas
bate o amor no peito
da espanha pelo sol
e lampião nas polinésias
com sua paixão baby mary
numa cena bonita
juntos por bangladesh

sexta-feira, 27 de junho de 2008

cantar do jeito que posso
posso compreender
sua alegria e boa vontade não fazem mal a você
nem a água pura nem o amor do sol
nada é para sofrer pela sua mão a vida a correr
como dança o mar chuva faz crescer
cresça sem morrer morra pra nascer
o lírio é branco seu amor é luz
a pátria é bela se o mundo é feliz a gente quis

quinta-feira, 26 de junho de 2008

sua scânia é um escândalo
nas estradas azuis da oceania
quem é filho de netuno aqui?
cada um como suas bananas
o elevador foi por haití
purpúreos domingos de madri
senhora de azul onde fica
a sala de blue?
romã antes que anoiteça amadureça
balé baião coração caribe
salve sol de iracema

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Meu amigo Geraldo Urano
Perdão, por não está na altura da sua órbita
Logo agora que você quer ser rebaixado
Da sua condição de poeta
Mas quero dizer, meu amigo,
Você é a sua melhor poesia
Quando rasgou seus documentos
Cuspiu no banquete dos homens
Acendeu um incenso aos deuses
Cantou suas musas e atravessou a fronteira
Para nunca mais voltar

(Carlos Rafael Dias
)
a visão do ancião
contente como passarinho cantando em alta antena
abrindo o mapa no quarto
aquelas terras são pássaros chorando as suas penas
quando antártida era pequena
seu tio um beduíno fez uma longa viagem
disse não leiam violência onde está violeta
quando voltou tudo ficara escuro
onde estava violeta tinham lido violência
era uma estranha cena
nas ruas os corvos pregando a misericórdia
e eu me lembrei dos dias tranquilos de ipanema
ainda veremos livres as emas

terça-feira, 24 de junho de 2008

sei que as pessoas são tão lindas

eu hoje me senti sozinho
sei que as pessoas são tão lindas
nenhum sinal do espaço
na rosa da minha mão
para onde eu fui meu amor
e o que foi que eu fiz
sem um sorriso eu vou pensando
em quem morreu na prisão
lá fora o sol estende a mão
meu amor
eu vou passando até amanhã

domingo, 22 de junho de 2008

a praia é um país perto do mar

manhã cor-de-rosa
pô-imã do tempo
e uma das rosas do vento
na rua a chuva caminha
mostrando seu rosto molhado
a chuva é um estado
a praia é um país perto do mar
o mar tem suas estrelas
estrelas-do-mar

sexta-feira, 20 de junho de 2008

a saúde tomou veneno e em vez de morrer começou a dançar

as leis do futuro não estão nos botões de computadores, mas nos botões de rosa

quinta-feira, 19 de junho de 2008

a preocupação é uma prostituta sem cárater

segunda-feira, 16 de junho de 2008

se eu quiser fico de noite

nos dias contemporâneos
passam ônibus
voam borboletas sem conta
são os sonhos
nos olhos da cidade
se eu quiser fico de noite
só para ver a lua
as ondas são balançadores
e os barcos meninos nadadores
que canção em inglês vai me dizer bom dia

domingo, 15 de junho de 2008

era uma manhã com nuvens, pássaros
e árvores floridas
uma manhã musicada pela brisa
e as flores respondiam aos sorrisos
e os pássaros se aproximavam da gente
e a manhã era um pássaro
voando na felicidade da gente
e a gente tinha vida no verde das árvores
e nenhuma palavra feria o sol ou as nuvens
e a gente tinha aroma nas flores de toda cor
e a manhã era aroma e tu tão cheirosa
e teus cabelos em longos cachos
como cachos de luz dourada
e a luz do sol fazia o seu trabalho
na pele da gente na terra macia
na água brilhosa dos riachos

sábado, 14 de junho de 2008

Um ônibus atropelou o amor. A humildade afundou no mar. Restou a intolerância, tão mal aceita em todo lugar. Logo ela que deveria ser praticada até as últimas conseqüências. Ela late como um cão da humanidade. É como um sol cujos raios encontram sempre as janelas fechadas. Nas capitais e no interior as balas zunem sobre nossas cabeças. O mundo nunca foi tão bom e tão violento. A destruição pede passagem. Enquanto isso, as aparições de Nossa Senhora se multiplicam. O Dalai Lama fala de compaixão. Todo mundo chora por dentro. A evolução é apenas uma questão de enxergar cada vez mais. Se enxergarmos pouco é porque as trevas são espessas. Nossos olhos são pequenos e o nosso coração é duro. A dobradinha da vitória; tecnologia e sexo, não é tudo. O povo geme, emocionalmente falando. Falta ternura, falta carinho e afeição, nas famílias.
O sentido da vida é a doação. Precisamos nos doar. Sem isso, as traças invandem o guarda-roupa. A lua ainda é importante. Vamos olhá-la, e as florestas pedem proteção. Homens e animais são perseguidos. Os pássaros cruzam um céu cada vez mais negro. Mas é preciso ver o belo do mundo e rezar. Deus não nos abandona, quer apenas coisas dentro de si, e é preciso abençoam e salvam. É melhor ter a natureza como amiga do que como inimiga. Os alertas estão por toda parte. Só as canções não resolvem. A política deve colaborar e a diplomacia não é só para almoços e jantares. Todas essas palavras estavam no caderno de Juana. Com seus lindos pés ela caminhava na beira do mar ao lado de Chico, seu namoradinho de 15 anos. Ela já passa dos 30.
Chico, dizia ela: o amor é para os eleitos e a humildade para os grandes. Como somos pequenos, Chico, como somos pequenos. No céu, o planeta Vênus brilhava como que ouvindo a conversa e admirando a beleza do casal.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Carta a Luiz Adão (II)

Crato, 25 de 08 de 1987.

Caro Amigo Luiz Adão.

Sou como uma bola de soprar cheia de átomos de urânio. E que esta nova segunda-feira novinha é mais um bebê nascido no apocalipse. Sei que não estou invicto e o peso do recente internamento, como o de uma jibóia imensa, ainda curva os meus 34 anos. As musas parecem dançar muito longe do mal e mentiroso poeta. O sol ilumina as pequenas e débeis bananeiras do quintal. Minha mãe varre a casa e eu paro para olhar. Ela e a santa imagem. E embora se fale das cores do Brasil e do vermelho da Espanha, que o mundo fumegue e os foguetes partam, a Terra ainda é azul. Um doce limão azul? Neste pequeno mundo de cidades enormes e bilhões de pessoas, a preocupação bate à minha porta- é uma velha companheira de infância. Jà tomei os remédios das 8hs.

Com um abraço,

Geraldo Urano

quinta-feira, 12 de junho de 2008

ohio state
minha camiseta branca
com um zero azul
um zero artístico
ohio state
mas eu conversava
com uma garota do arizona
ohio state
em vermelho no peito
vermelho azul e branco
são as cores da américa
por mais que hollywood
deseje e até usa
ouvi dos seus lábios
são as cores da américa
ohio state
não há outra saída
para a terra
nossa cidade fraterna
irmã das outras terras
o universo é unido
ohio state
minha camiseta branca
com um zero azul
um zero artístico

terça-feira, 10 de junho de 2008

Salute, poeteiro Geraldo Urano!

(Carlos Rafael)

O poeta completou 55 anos de vida
Fui visitá-lo na sua casa na vila novo horizonte
Ele não estava, pois está internado na casa de saúde santa teresa
Levei uvas, maçãs e tangerinas
Para presentear o poeta maior
Que faz cumpletaños hoje

O poeta é um ser sofrido, mas livre
Apesar de todo prontuário possível
Ele é livre sob quaisquer tortura e circunstância
Como o soldadinho-de-chumbo do araripe
Saltitante e cantante como os mais respeitados bluesmen do mississipi

Salve, salve, Geraldo Urano, poeta maior
Que fez da vida sua melhor poesia
E a escreveu num papiro incandescente
como um louco escriba
Em pleno delta do nilo

Que o poeta pelo menos sobreviva
Como sobrevive sua poesia
E que diante dele a vida imponha a pena
De sentimento e registro
O que se deixou de herança
Para as gerações passadas e futuras

Meu amigo e irmão de esquina
Do parque municipal e da quadra bicentenária
Boas as biritas sorvidas no Bar de Aderbal
Naqueles invencíveis anos oitenta

sábado, 7 de junho de 2008

Prefácio do livro Vaga-Lumes, por Rosemberg Cariry



palavras de um companheiro. ceia de reencontro. cantiga de amizade. história das águas que jorram das nascentes da serra, das encostas do mundo, do vale do cariri.

falar de geraldo urano é falar de um amigo, de um companheiro com quem reparti momentos alegres e também difíceis na pré-história dos anos setenta. tempo de luta, de criação e de sonhos, apesar da ditadura. o poema destramelado na garganta, a voz e a poesia, chama de vida, nas praças e nos palcos. o coração do mundo para nós pulsava no cariri e mágico era o nosso mergulho naquele universo de serras verdes y águas claras y cheiro de buriti maduro y vozes do povo y do rugir dos séculos na língua acesa do sol.

crato/cratera, 1973/76. grupo de arte por exemplo. peças de teatro, exposições de arte, filmes, festivais de poesia e música. baião de todos. geraldo urano, luiz carlos salatiel, rosemberg cariry, deca, cleivan paiva, emerson monteiro, jackson bantim, bá freire, hugo, josé roberto frança, jefferson júnior, socorro sidrim, múrcio, paulinho, audízio e tantos outros. inumeráveis nomes, inumeráveis vozes, inumeráveis sonhos vivificados pelo signo do encontro, depois marcados pela diáspora imposta pelo fascismo militarista no poder. era "um tempo de guerra" e nós não sabíamos, enfeitávamos o brilho da nossa juventude com ramos de manjericão, enquanto muitos conheciam a tortura e a morte. caminhar é preciso, refaz-se a vida e a consciência. cinco anos é tempo de gestação. na "nação cariri" cresceu a semente do primeiro encontro, alargou-se a porteira da voz, firmou-se a certeza dos necessários passos junto ao povo. construção da luminura, luz, luzir, fogueira ardendo na noite, corações cariri abertos em perfume e claridade.

a partir do cariri, terra marcada pelas unhas da história, a poética de geraldo urano criou asas, rompeu cercas, ganhou o mundo, ensaiou o seu projeto de universalidade. muitos poemas viraram canções na voz de luiz carlos salatiel, pachelly jamacaru, cleivan paiva, bá freire, cirino e paulinho. na beleza dos seus versos estão os países, as cores dos povos, a semeadura do sonho, a busca da paz, a canção de amor. a poesia de geraldo não tem fronteiras, fala do mundo como quem fala do quintal da sua casa e do quitnal da sua casa como quem fala do mundo. em tudo uma marca inconfundível: o verso novo e inovador, a musicalidade das palavras que se entrelaçam como trepadeiras que escalam muros e desabrocham a flor nos cabelos das ruas; a ironia cortante que desaloja a ferrugem; a crítica audaz aos inimigos da vida; o imenso amor que o liga à natureza. sobretudo, seu canto de esperança no homem, sua fé na liberdade e no advento de uma sociedade de coletiva felicidade. um momento novo, jovem, audacioso e sereno, ao mesmo tempo. o poema enquanto possibilidade de vida, poesia farta de manga-rosa, jorro abundante de leite de vaca que pasta estrelas na boca da noite. via-láctea.

vaga-lumes é apenas um momento da poesia de geraldo urano, um piscar de luzes na escuridão. nós que conhecemos e acompanhamos a sua produção poética, esperamos também que ele nos brinde, qualquer dia destes, com um livro mais volumoso que reúna os muitos momentos da sua fértil e irreverente criação. algo assim como um prato de estrelas, servido na mesa da grande noite que pesa sobre a nação brasileira. festa em casa de camponês, quando o inverno é bom, quando se assenta a poeira do corpo, quando a consciência e a disposição revolucionária do povo é canção maior, falam mais alto que a voz dos tiranos e dos exploradores. viva a poesia. que badzé saiba desta simples oferenda.

Rosemberg Cariry

cidadadela de nuestra señora del assución, capital da província pré-histórica do siará grande, no mês de abril (flores e povo nas ruas. diretas já), no ano difícil de mil novecentos e oitenta e quatro.

terça-feira, 3 de junho de 2008

mulheres da china

deixem passar as suaves mulheres da china
vejam que lindo o mar do rio de janeiro
nele vão se banhar as meigas mulheres da china
que avião é aquele? é um avião chinês

deixem que a china mostre
ela sabe como é que faz
que sol é aquele que vem iluminando tudo?
é o sol chinês

e vamos todos galopando
é o galope da alvorada
ó deixem essa coisa linda passar
ela é uma coisa que não engana